Ucrânia: Os laboratórios biológicos dos Estados Unidos que ninguém nos fala

Por Beatriz Talegón* para Las Repúblicas (Espanha)

A China, por meio do porta-voz da RREE, Zhao Lijian, acusou os EUA de ter 26 laboratórios biológicos na Ucrânia. Se a Europa finalmente levar Putin ao Tribunal Penal Internacional -como ele ameaçou- será interessante aprender também sobre experimentos genéticos e de doenças como armas.


Há apenas dois meios de comunicação que quiseram reportar essa informaçao: Russia Today e Sputnik, hoje censurado na Europa

No momento em que o Presidente do Governo (da Espanha), Pedro Sánchez, anuncia uma medida considerada inconstitucional por juristas como Joaquín Urías, relativa à interdição da emissão dos canais Russia Today ou Sputnik na Espanha, procuramos saber que tipo de informação que publicaram que poderia ser “sensível” à opinião pública.

Precisamente, ontem (01.03.2022), o jornalista Julio Ariza indicou através de sua conta no Twitter que a embaixada dos Estados Unidos na Ucrânia havia retirado de seu site informações sobre os 11 laboratórios biológicos financiados pelo Pentágono na Ucrânia.

Precisamente, se buscarmos informações sobre isso, verificaremos que os meios de comunicação que haviam noticiado sobre esse assunto eram, precisamente, os dois meios “demonizados” pela União Europeia esta semana, e censurados como medida preventiva: Russia Today e Sputnik.

O Russia Today apontou em 2015 como um jornalista ucraniano, Alezandr Rogers, publicou uma investigação que afirmava que “o Pentágono cria laboratórios biológicos secretos na Ucrânia”. Uma notícia que ainda pode ser lida clicando aqui.

A matéria observa que “na cidade de Merefa, na região de Kharkov, está sendo construído um repositório para pesquisar e preservar patógenos animais extremamente perigosos, escreveu o jornalista ucraniano Alexandr Rogers no portal ukraina.ru. O projeto pertence à empresa norte-americana Black & Veatch Special Projects Corp. e está sendo financiado pelo Departamento de Defesa dos EUA, denunciou.”

A matéria prossegue salientando que «na própria cidade de Kharkov, situada a cerca de 30 quilómetros da fronteira com a Rússia, foi criado um laboratório secreto, acrescenta o jornalista. De acordo com seus dados, a instalação está localizada no subsolo do Instituto de Medicina Experimental Clínica e Veterinária e todos os seus funcionários são estrangeiros, em sua maioria americanos. “Encoberto sob o disfarce de um laboratório para pesquisa de patógenos de perigo extremo e desenvolvimento de vacinas, os EUA planejam criar uma base militar biológica“, insiste Rogers.

A cadeia Rossiya 24 decidiu investigar o que é verdade nestas denúncias. E descobriu-se que os planos para construir um depósito bacteriológico em Merefa começaram anos atrás, mas foram temporariamente suspensos devido a protestos dos moradores. O projeto foi reiniciado após a mudança de poder na Ucrânia.

«Segundo a informação oficial que a Black & Veatch apresenta no seu site, a empresa conta com 10.000 colaboradores em mais de 100 países em todo o mundo. Seus projetos incluem sistemas de controle de armas nucleares, monitoramento do sarcófago na usina de Chernobyl e um laboratório especial na cidade ucraniana de Odessa. O centro de ciências de Odessa está em operação desde 1994. A missão anunciada publicamente é monitorar vírus e lidar com ataques de terroristas biológicos”.

A peça informativa também nos direciona para outra, onde publicam: «Pentagon Laboratories in Ukraine: Covert biologic war against Russia?», uma informação de um ano anterior, de 2014.

A peça afirma: “O primeiro centro biológico na Ucrânia foi inaugurado com o apoio de Washington em 15 de junho de 2010 com base no Instituto de Investigação contra a Peste II Mechnikov Odessa na presença do embaixador americano, John Tefft. O centro recebeu um status que permite trabalhar com cepas usadas para criar armas biológicas.

Na Ucrânia é levado a cabo o armazenamento descentralizado de patógenos perigosos. “Pode haver alguma ligação entre o trabalho realizado neste centro e o assassinato em massa de pessoas na casa dos Sindicatos em Odessa em 2 de maio?” pergunta o Fundo de Cultura Estratégica neste contexto. Ativistas locais e a mídia apontaram que uma substância desconhecida foi usada para fins destrutivos naquele dia.

Somente em 2013 na Ucrânia foram abertos laboratórios biológicos com o apoio dos Estados Unidos em Ternopil, Uzhgorod, Kiev, Dnepropetrovsk, Simferopol, Kherson, Lvov (são três nesta cidade) e Lugansk, entre outros.

Hoje em dia, os laboratórios biológicos do Pentágono cercam a Rússia em forma de semicírculo. Em 2012, com o apoio dos Estados Unidos, foi concluída a modernização de um laboratório biológico no Azerbaijão. Os EUA planejam estabelecer centros semelhantes no Uzbequistão e no Quirguistão. Há informações de que o centro biológico no Cazaquistão será dirigido por Kanatzhan Alibekov, um ex-microbiologista militar soviético, agora cidadão americano, que imigrou para os Estados Unidos na década de 1990 e deu aos americanos informações secretas sobre o programa biológico militar da URSS.”

Mas não apenas o Russia Today informou sobre isso. Precisamente o outro meio de comunicação atualmente censurado na Espanha, o Sputnik publicou a seguinte informação há apenas alguns meses: “A China pede aos Estados Unidos que revelem com o que seus laboratórios na Ucrânia e em outros países estão lidando”.

Nesta matéria destaca-se que: “Na véspera, o chefe do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, assegurou que Moscovo considera que os EUA estão a desenvolver armas biológicas nos seus laboratórios situados perto das fronteiras da Rússia e da China. “Prestamos atenção ao fato de que a Rússia expressou preocupação com o desenvolvimento das atividades de militarização biológica dos EUA tanto no território de seu próprio país, especialmente na base de Fort Detrick, quanto no território de outros estados.

De acordo com o exemplo da Ucrânia, citado pelo lado russo, segundo dados abertos, apenas no território ucraniano Washington instalou 16 laboratórios”, disse o diplomata em entrevista coletiva. Zhao questionou a necessidade de os EUA “encherem o mundo com seus laboratórios” e admitiu que o país norte-americano pode estar envolvido em atividades secretas, razão pela qual se opõe à criação de um mecanismo de investigação no âmbito da convenção.

O diplomata voltou a exortar os EUA a adoptarem uma abordagem responsável, tendo em conta as preocupações da comunidade internacional, e a “esclarecerem as actividades de militarização biológica do vosso país e de outros países”. Em maio do ano passado, o meio de comunicação ucraniano Ukrainskiye Novosti, citando o Ministério da Saúde do país, informou que os EUA construíram oito laboratórios na Ucrânia, onde são armazenadas infecções particularmente perigosas.

O Pentágono prestou assistência técnica a laboratórios construídos ou modernizados de 2005 a 2014, localizados em Lviv, Transcarpathia, Ternopil, região de Vinitsa, Kherson, Dnepropetrovsk e Kharkov. Em 2019 Patrushev denunciou que Washington lançou mais de 200 laboratórios biológicos em todo o mundo, em particular nos países vizinhos da Rússia, incluindo Geórgia e Ucrânia.

Acrescentam que «O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou anteriormente que a atividade que os EUA realizam no território da Geórgia no Centro Richard Lugar contradiz os compromissos assumidos por Washington e Tbilisi como signatários da Convenção sobre Armas Biológicas. A Rússia em mais de uma ocasião indicou que está preocupada com a atividade do Pentágono de estabelecer laboratórios médico-biológicos perto das fronteiras russas. Em 2015, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que “uma unidade de pesquisa médica do Exército dos EUA opera sob o teto do Lugar Center”, fato que a Geórgia nega. Moscou supõe que as autoridades dos EUA e da Geórgia estão tentando encobrir o verdadeiro conteúdo da atividade dessa unidade do Pentágono que se dedica a estudar infecções particularmente perigosas”.

*Beatriz Talegón é uma politica e colunista espanhola.

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