MORRE NILSON GARRIDO AOS 64 ANOS

Pesquisa e texto: Breno Macedo

Boxe brasileiro perde Nilson Garrido, o homem que levou o boxe pra debaixo dos viadutos. Garrido nasceu em Olinda, Pernambuco, mas veio ainda criança tentar a vida em São Paulo junto a família. Com dez anos de idade, se iniciou no boxe com o lendário Mestre Baltazar e nunca mais se afastou do esporte. Foi boxeador amador e se tornou técnico de boxe, ensinando a milhares de pessoas que tiveram suas vidas transformadas.

Trabalhou como segurança, pedreiro, feirante e catador de entulho antes de estudar Educação Física e se formar professor. Em 2004 decidiu ensinar boxe para crianças e adolescentes em situação de rua no centro de São Paulo. Ocupou um espaço ocioso embaixo de um viaduto no Bixiga, no centro da cidade, transformando uma área abandonada e degredada em espaço de reabilitação humana. O projeto deu certo e passou por diferentes regiões de SP, como a Mooca e o Glicério.

Propositalmente, Garrido instalou sua academia em espaços ‘esquecidos’ pela sociedade, povoados pelo que seria a ‘escória social’. Montou ginásios de boxe utilizando-se de sucatas e materiais achados no lixo. O principal público eram moradores de albergues, dependentes químicos, ex-detentos, sobreviventes de chacinas, os ‘desalinhados sociais’. Garrido sempre acolheu a todos, dando um ombro amigo e um suporte a quem muitas vezes já não tinha mais esperanças na vida.

Segundo suas próprias palavras, sua academia embaixo do viaduto “é uma fábrica de reciclagem de seres humanos”. Dentre seus principais alunos, estão seu filho Fábio Garrido, o treinador JB (in memoriam), o boxeador profissional Jack Welson e o professor Fernando Menoncello, o popular Bolacha. Fernando foi um dos jovens ‘perdidos’ que encontraram seu caminho debaixo do viaduto, sob instrução de Garrido. Bolacha é atualmente um dos principais treinadores do país e seu projeto leva o nome Das Ruas Para os Ringues.

No final da década de 2000, o projeto de Garrido alcançou certa relevância nacional e internacional, atraindo apoiadores e divulgadores. Em 2011, venceu o prêmio TRIP Transformadores por “promover a cidadania através do esporte”. É vasta a quantidade de entrevistas e reportagens sobre o trabalho de Garrido na internet, basta googlar seu nome para descobrir mais sobre suas ações. Garrido faleceu hoje, dia 26/06/2022, por complicações em uma cirurgia no estômago. O enterro será nessa segunda-feira, as 10h, no Cemitério da Vila Formosa. Em entrevista ao Provocações da TV Cultura em 2012, Garrido pediu: “quando eu morrer, enterrem meu coração debaixo do viaduto, Minhas cinzas tem que estar lá”. Pra quem entregou sua vida ao trabalho debaixo da ponte, nada mais sensato.

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