ALBA- TCP contrói um modelo sem precedentes para enfrentar a pandemia

Por Mision Verdad

No dia 19 de janeiro de 2021 o Conselho Social da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América-Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP) se reuniu para coordenar esforços para garantir aos povos dos países membros o acesso massivo e gratuito à vacina contra o covid-19 e outros medicamentos.

Chefiada por seu novo secretário executivo, o boliviano Sacha Llorenti, a reunião atendeu à proposta dos atuais presidentes da Venezuela e de Cuba, Nicolás Maduro Moros e Miguel Díaz-Canel Bermúdez, respectivamente, sobre a criação de um fundo de vacinas para os países do ALBA-TCP.

Este tema também fez parte dos temas tratados durante a visita a Cuba da Vice-Presidente Executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, que desenvolveu uma intensa agenda de trabalho com as autoridades cubanas.

Durante um balanço da situação da pandemia de covid-19 na Venezuela no domingo anterior o presidente Maduro insistiu na necessidade de atender às necessidades de medicamentos das nações da América Latina e do Caribe, dada a desigualdade existente no acesso a esses insumos globalmente.

O presidente lembrou que o projeto surgiu durante a 18ª Cúpula ALBA-TCP, realizada em dezembro, como forma de aliviar o monopólio, “injusto e desigual”, exercido por um pequeno grupo de governos na aquisição da maioria das doses de vacinas para atender a emergência de saúde em seus respectivos países.

Este bloco de países (ALBA-TCP) se originou em 14 de dezembro de 2004 em Havana quando os então presidentes de Cuba e Venezuela, Fidel Castro e Hugo Chávez, assinaram a Declaração Conjunta para a criação da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) inspirada nas ideias de Bolívar e Martí.

Além de um slogan: “Unidos contra covid-19”

Embora pareça apenas um slogan carregado de boas vibrações, é excepcional estar unido contra o flagelo mais importante que o mundo experimentou até agora neste século, especialmente em uma região como a América Latina, na qual a onda neoliberal que tomou vários países e desconfigurou as iniciativas de integração regional que foram propostas nos anos anteriores.

Governos como Brasil, Peru, Colômbia, Chile, Honduras, Paraguai, Equador e o golpe de estado executado da Bolívia deixaram seus povos abandonados diante de uma pandemia que diariamente revela a fragilidade em que vivem. As políticas de mercado aplicadas por esses governos impulsionam os números alarmantes que a América Latina e o Caribe apresentam hoje em face da COVID19.

Nesse sentido, Llorenti revisou a situação do covid-19 na América e no mundo, enfatizando a letalidade dessa doença. Ele destacou que, em média, morrem mais de 11.900 pessoas por dia, ou seja, uma morte a cada 8 segundos.

Ele ressaltou que, embora instituições internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenham alertado que só a solidariedade garantirá o sucesso do combate ao covid-19, o sistema neoliberal tem tentado enfrentar a pandemia seguindo as regras do mercado.

A esta crítica, acrescentou que isto é visto com particular dureza em relação às vacinas que já são disponibilizadas à comunidade internacional. Ele descreveu como “95% das vacinas estão nas mãos de dez países no mundo … Os países ricos estão acumulando vacinas, até nove vezes o número de seus cidadãos. Quem decide para onde vai a vacina? O mercado que está decidindo. “

Llorenti delineou os exemplos de Cuba e Venezuela frente a esta forma de atuação dos países que defendem o neoliberalismo, ambos os países têm apoiado com pessoal e recursos numerosos povos de todas as regiões do mundo.

Outras frases:

  • “Quem paga mais se vacina primeiro. Os mais ricos se vacinam primeiro. Quem pode pagar é vacinado”, disse, comentando que isso mostra como funciona o neoliberalismo.
  • “Nem os mais vulneráveis, os trabalhadores da saúde podem ser vacinados em primeira instância”, opinou, criticando que os serviços básicos se transformam em mercadoria ou privilégio de quem tem mais dinheiro ”.
  • “Não são os mesmos países que estocam vacinas que atacam a Organização de Saúde (OMS)?”, Questionou, lembrando que o multilateralismo está em crise e sob permanente ameaça de destruição.
  • Por isso, garantiu que só “um Estado forte, um sistema multilateral fortalecido, com serviços públicos entendidos como direitos humanos terá sucesso”.
Sacha Llorenti, secretário executivo da ALBA-TCP (Foto: Chancelaria venezolana)

Deve-se notar que a Organização das Nações Unidas (ONU) responsabilizou os governantes de um grupo de países ricos por ignorar as necessidades das nações menos desenvolvidas e competir pela compra de lotes da vacina covid-19. “Agora vemos como as vacinas chegam rapidamente aos países ricos e os pobres não as recebem”, alertou o seu secretário-geral, António Guterres, que defendeu a solidariedade e os esforços globais conjuntos para ultrapassar a pandemia.

Mãos visíveis da solidariedade: experiências, conquistas desafios

Em seguida, os países membros compartilharam suas experiências, conquistas e desafios, entre os quais destacaram as estratégias de gestão e controle da saúde voltadas para a participação comunitária, os avanços tecnológicos voltados para os direitos socioeconômicos da população, o envio de brigadas internacionais aos países que o solicitaram apoio à luta contra a pandemia e aos mecanismos de cooperação internacional em que prevalece uma visão multipolar.

O Governo venezuelano, na voz de seu Ministro da Saúde, Carlos Alvarado, compartilhou como o atendimento precoce, medidas drásticas e rápidas (confinamento, uso de máscara), protocolos de biossegurança e a criação de hospitais sentinela definiram o sucesso e o baixo número de contágio e mortalidade. Afirmou que “É importante superar o bloqueio, a Venezuela tem mais de 30 bilhões de dólares em bancos internacionais que não podemos usar nem para ter acesso à vacina”, referindo-se às medidas coercitivas unilaterais que os Estados Unidos e a União Européia mantêm contra Venezuela e que foram estendidos durante os primeiros nove meses da pandemia. Alvarado concluiu dizendo que ALBA-TCP “deve ser um exemplo de como uma ameaça comum deve ser enfrentada.”

Por sua vez, as autoridades sanitárias cubanas expressaram seu desejo de integração, afirmando: “Não renunciamos ao princípio da solidariedade, 56 brigadas Henry Reeve foram implantadas em todo o mundo; apesar do bloqueio, estamos empenhados em levar saúde aos povos . ” Da mesma forma, destacaram a vigilância nas portas de entrada do país, o cumprimento dos protocolos de saúde estabelecidos pela OMS, centros e postos de saúde preparados para a detecção e atendimento dos casos de covid-19.

A representação nicaragüense destacou que seu modelo tem se baseado no protagonismo da família e da comunidade organizada, enquanto a da Bolívia afirmou estar trabalhando muito para adquirir medicamentos, equipamentos e vacinas para o atendimento de pacientes contra essa doença contagiosa.

Raúl Li Causi, presidente do Banco del Alba, reconheceu e parabenizou as decisões que os governos da região têm tomado para manter a pandemia sob controle, ao anunciar que a instituição financeira apoiará os Estados membros na compra de vacinas. Acrescentou que “Desde o Banco del Alba em coordenação com a companhia aérea venezuelana Conviasa oferecemos uma ponte aérea para a transferência de vacinas ou tratamentos”.

O chanceler Jorge Arreaza esteve presente na reunião do Conselho Social da ALBA-TCP (Foto: Chancelaria venezuelana)

Dessa forma, o bloco busca ativamente uma forma de colocar à disposição dos povos ferramentas para superar a armadilha de uma pandemia que exacerbou contradições e mitos como a “mão invisível do mercado”.

Acordos que são etapas estratégicas

Os acordos alcançados nesta reunião especial não são apenas decisões para enfrentar a conjuntura de pandemia global, mas também são passos estratégicos para avançar solidamente contra uma ordem mundial imposta pela plutocracia. É um esforço para evitar o colapso de estados fortes na região, o que serviu às elites globais para intensificar os saques e a desapropriação e permitir que revivam um sistema decadente.

Como decisão fundamental, a criação de um Fundo Humanitário, inicialmente financiado com dois milhões de dólares, estava determinada a formar um Banco de Medicamentos e Vacinas que contribuirá para melhorar o acesso a suprimentos médicos, testes rápidos e testes de PCR, elementos vitais para o combate pandemia. Essa mobilização de recursos será especialmente orientada para os países do Caribe Oriental.

Outros acordos:

  • Agilizar o intercâmbio de boas práticas de combate ao covid-19, que permite compartilhar experiências de acordo com as medidas e tratamentos implementados pelos sistemas de saúde dos países membros.
  • Fortalecer a participação dos países da ALBA-TCP nos processos de negociação já existentes para o desenvolvimento de um dispositivo mais eficiente e eficaz para compras conjuntas de vacinas e medicamentos contra a doença.
  • Promover a busca de maiores recursos financeiros e humanos para o combate à pandemia, bem como promover a transferência de tecnologia e a divulgação de informação científica e técnica entre os países da ALBA-TCP.
  • Reforçar a articulação entre a Saúde e o Ensino Superior para a gestão de Programas de Formação de profissionais nas diversas áreas da clínica e saúde pública.
  • Reforçar a capacidade de resposta dos serviços hospitalares (…) com a reabilitação da infraestrutura das redes hospitalares, com a reorganização e ampliação dos serviços relacionados com a covid-19.
  • Avançar na cobertura universal e abrangente de serviços de atendimento a casos com covid-19, com foco na detecção precoce, diagnóstico rápido, isolamento imediato e tratamento oportuno.
  • Assegurar mecanismos de financiamento e alocação de recursos para a realização de planos e projetos relacionados com a situação pandêmica, sob os princípios do intercâmbio justo, complementaridade, integração e solidariedade.

Também foi reiterada a necessidade do apoio imperativo da OMS para que os Estados membros da ALBA-TPC tenham acesso eqüitativo à vacina e a relevância de se construir um inventário com informações de laboratórios públicos e produtores biológicos da América Latina e Caribe para conhecer as capacidades técnicas de pesquisa e produção de vacinas.

Etapas estratégicas que são essenciais para o mundo multipolar

O Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, assegurou que será estabelecida uma negociação conjunta com os países membros do bloco, afirmando que “Devemos lembrar que nossa aliança se baseia na solidariedade, que se baseia nos mais sensíveis princípios de união que possam existir ”e destacando a necessidade de se criar“ um governo multilateral que traga a maior felicidade aos nossos povos. Esperamos ver os resultados desta reunião em muito pouco tempo ”.

O diplomata continuou a apelar ao setor privado para se juntar ao transporte aéreo que será estabelecido com a Conviasa para o transporte de vacinas, tratamentos, pacientes e outros insumos. Além disso, fez questão de promover a busca de maiores recursos financeiros e humanos para o enfrentamento da pandemia, destacando a urgência de se promover a transferência de tecnologia e informação científica e técnica entre os países da ALBA-TCP.

A troca de experiências permitirá, como indica o Instituto Samuel Robinson para o Pensamento Original, a projeção do bloco regional como a única organização internacional com modelo próprio de contenção do vírus, impulsionado pela bem-sucedida fórmula venezuelana de flexibilidade controlada, atenção primária e detecção de casos por meio de ferramentas de Big Data ( Sistema Patria ), bem como pelo andamento das quatro vacinas candidatas de Cuba.

É preciso lembrar que esse bloco foi parcialmente destruído pela direita global quando seus governos desmantelaram a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) com base em artifícios ideológicos. Em 2018, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai decidiram se retirar do grupo, assim como o Equador em 2019 e o Uruguai em 2020, impulsionados por pressões plutocráticas.

A Unasul é uma organização de integração sul-americana fundada em 2008 para “construir uma identidade e cidadania sul-americana e desenvolver um espaço regional integrado”, mas manteve sua participação suspensa desde abril de 2018 por submissão de governos de alguns de seus países membros à diplomacia extremista da extinta administração Trump. Atualmente, apenas quatro países permanecem membros.

Em sua concepção interna, a Unasul era composta por diferentes estruturas, como o Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde ( ISAGS ), que buscava pactuar posições, fazer pesquisas e assessorar permanentemente as autoridades sanitárias dos doze países membros.

No alvorecer de outras geopolíticas possíveis

O ALBA-TCP reúne os países com melhor desempenho na contenção da pandemia em escala hemisférica, consolidando passo a passo um modelo de trabalho conjunto com ressonância global, indica também o Instituto Samuel Robinson. Isso contrasta com a atuação de outros governos latino-americanos que passaram a tomar medidas assíncronas e heterogêneas em cada território, cada um com base em suas próprias experiências epidemiológicas, em pesquisas de outros continentes ou simplesmente aplicando medidas de forma improvisada. 

O resultado está à vista: o Brasil se tornou o segundo país do mundo com mais infecções (depois dos Estados Unidos), com mais de três milhões de casos da doença. A Venezuela bloqueada estendeu seu apoio a uma crise de saúde provocada na cidade de Manaus por falta de oxigênio na rede hospitalar, o que provocou o sarcasmo irado do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Caminhões com oxigenio da Venezuela cruzam a fronteira até Manaus (Brasil) (Foto: AFP)

Além disso, Colômbia, Equador, Chile, Peru e Bolívia vivem cenas dramáticas diante da precariedade dos sistemas públicos de saúde e dos serviços privados de saúde que aproveitam a doença para lucrar com a vida dos mais vulneráveis.

Uma reunião como a do Conselho Social também reforça o espírito de ação em bloco com que nasceu a ALBA-TCP em 2004, cujo fundamento está no fortalecimento das capacidades de poder e negociação da região diante do reordenamento geopolítico do Ocidente. potências, onde Neste momento, a questão da vacina tornou-se um campo de batalha estratégico, conclui o think tank venezuelano.

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